Cerrado




 

 

Território do Cerrado (211 Municípios)

 

 

TERRITÓRIO CERRADO

O maior  e mais diverso dos 5 Territórios gastronômicos mineiros, divide-se (Provisoriamente) em outros treze subterritórios, mas a principal marca vem da natureza do cerrado, a mais rica e diversa savana do planeta, presente em 25% do território brasileiro em 12 estados da federação.

A  diversidade cultural e de produtos alimentícios originários deste bioma conferem riqueza inigualável de sabores, de receitas, seja através da agro industria familiar, dos projetos extrativistas das comunidades ribeirinhas e tradicionais,  dos seus costumes específicos, não menos diversos e também proporcionados por diferentes micro territórios  dentro de sua grande e variada extensão geográfica. 

Entrecortado por importantes bacias hidrográficas do Brasil cujos principais rios,São Francisco, Paranaiba e Araguari, tem neste território suas nascentes nas montanhas da Serra da Canastra. Rios que preservam marcas dos resquícios culturais indígenas.

Imortalizado por Guimaraes Rosa em seu Grande Sertão Veredas, pelos relatos de Saint Hilaire e outros desbravadores do sertão, o cerrado, suas veredas, seus frutos, aromas e sabores naturais, somados aos saberes das farinhas de Bocaiuva e do triangulo, das Carnes Serenadas, das receitas dos pescados de Pirapora e todo Velho Chico, da moderna fruticultura irrigada do Jaiba, das carnes de excelencia de Uberaba  e dos melhores queijos e cafés do mundo dentre outras riquezas, se torna o grande baú gastronômico do país ao lado da ainda desconhecida amazônia. 

As farinhas de mandioca e os polvilhos são o grande legado deste povo que habitou o Brasil ao longo dos rios, especialmente os Araxás que definiram a identidade do sertão da Farinha podre na região do triangulo e alto Paranaiba,Ricas bacias leiteiras e diferentes culturas de transformação se fazem presentes através dos queijos artesanais produzidos em regioes certificadas como Canastra, Araxá, Salitre, Cerrado e Triangulo, pelos requeijões escuros em toda a região norte, pelas manteigas do noroeste e demais laticínios na grande bacia do centro oeste.

Frutos e castanhas do cerrado são outra forte referencia como o pequi, o buriti, coquinho azedo,cagaita, umbu, a castanha de baru dentre outros.

 A produção de gado especialmente no triangulo conferem a este território mais uma referencia de liderança na produçãop gastronômica do pais bem como a de cereais produzidos em grande escala como o feijao, o milho e a soja no noroeste.

Referencias históricas como na antiga Vila de Paracatu do Principe, onde tropeiros e exploradores de diversas origens vieram em busca de ouro deixando marcas e  vestigios das suas  culturas europeias, especialmente portuguesas com seus doces e quitandas.

 Ainda como referencias históricas as cachaças de qualidade estao presentes em todo o cerrado cujo clima e solo ácido agregam doçura especial às canas e seus processos artesanais proporcionam a qualidade única a esta bebida brasileira. Destaque às cachaças artesanais de alambique do noroeste, produzidas a partir de rapadura.

As rapaduras escuras e as batidas além dos doces de tijolo adoçam a vida dos habitants deste território, que hoje também tem como destaque importante os cafés especiais, que encontraram neste bioma e nas terras altas, o clima e as condições ideais para se transformarem nos principais produtos da agricultura mineira e brasileira. São cafés especiais de qualidade, que agregam valor com suas altas pontuações nos mercados internacionais.

 Diversas comunidades quilombolas espalhadas por todo o território também colaboram com as identidades gastronômicas que definem o território do cerrado preservando suas culturas culinárias, especialmente das cozinhas religiosas através de seus doces e suas  quitandas.

 Além da produção contemporanea de grãos no noroeste, a fruticultura irrigada do Projeto Jaíba, é uma forte referencia determinante da Identidade do Vale do São Francisco, próximo da divisa de Minas com a Bahia.

 Principais produtos primarios: Café, Leite, Carnes bovina e suina, mandioca, frutos e castanhas do cerrado, peixes.

 Principais produtos transformados: Queijos, farinhas de mandioca e de milho, cachaças artesanais, quitandas, carnes serenadas, polpas de frutas, temperos, doces de leite na palha.

 Principais receitas: Quitandas- Biscoitos de Polvilho, Paes de queijo, Empadinhas de pele fina, Desmamada, Mané pelado, Queijadinhas, Doces- Doce de Tijolo, Frutas Cristalizadas, Doces de Leite,  Peixes - Peixada com Pirão, Dourado Assado, Carnes- Arroz de pequi com carne serenada, Farofa de pequi, Galinhada com guariroba, Paçoca de Pilão.

 Principais cidades: Sete Lagoas, Curvelo, Montes Claros, Pirapora, Januária, Paracatu, Unai, Uberaba, Araxá, Uberlândia, Divinópolis, Patos de Minas.

 Principais atrações gastronômicas: Mercados municipais de Montes Claros, de Uberlandia e de Uberaba. Festival Internacional de Gastronomia de Araxá, Festa Nacional do Pequi de Montes Claros, Fenamilho Patos de Minas, Festival do Queijo Artesanal da Canastra de São Roque de Minas, Festival do Café em Patrocínio, Festival Prato da Casa de Divinópolis.

13 SUB TERRITÓRIOS

Estas 13 áreas foram delimitadas a partir de algumas afinidades micro regionais detectadas nas visitas e pesquisas sobre o território físico e suas características semelhantes em decorrencia do clima relevo hidrografia, dos costumes e da história de suas formações, análise de receitas e entrevistas com diversos personagens. Esta foi a fase de observações e experimentações, e o objetivo que se segue é um aprofundamento técnico científico nestas micro regiões para identificar regiões cuja relevancia gastronômica possa ser demarcada para futuros projetos de desenvolvimento econômico social sustentável, criação de marcas coletivas de procedência, projetos de turismo, agro industria e serviços com selos de Identidade Gastronômica. Um exemplo já em aprofundamento técnico é a região que engloba os sub territórios da Canastra,Araxá e Alto Paranaíba, cujas terras altas entre outras afinidades apontam semelhanças fortes na produção de queijos de excelencia e cafés de qualidade, além de outros ícones da gastronomia nacional e do cerrado como farinhas e outros derivados da mandioca, receitas tradicionais e histórias com registros da presença de indios e exploradores de outras nacionalidades, fatos que possivelmente estabelecerão novas e mais extensas fronteiras destas identidades gastronômicas no oeste do estado.